Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Elemento Terra

Pensamentos • Reflexões • Sentimentos

Elemento Terra

Pensamentos • Reflexões • Sentimentos

22
Mai20

Vida Profissional

Na primeira publicação escrevi sobre a minha vontade de compreender a mente e de como cada um de nós se encaixa na sociedade.

Venho aqui partilhar parte da minha história profissional. Não sei como é que a maior parte das pessoas se sentem em relação à sua vida profissional, não sei se há muitas pessoas numa situação semelhante à minha, mas eu sinto que as experiência - e podermos falar e refletir sobre elas - são uma ótima fonte de auto conhecimento.

Não quis escrever sobre este assunto naquela primeira publicação porque poderia tornar-se um pouco confusa, mas penso que agora estou em condições de me explicar de forma clara e "verdadeiramente verdadeira".

 

Em 2013 terminei a minha licenciatura. Fiz ERASMUS de verão e naquela altura queria seguir a área de investigação botânica. Quando regressei a Portugal, iniciei um mestrado, mas não estava a ter os resultados que pretendia, nem a adquirir os conhecimentos que procurava. Além disso, estava à procura de trabalho e queria ser eu a pagar o mestrado para não sobrecarregar os meus pais. Juntando todos os fatores, acabei por desistir e dedicar-me inteiramente à procura de um trabalho ou à presença em formações realizadas pelo "meu" Centro de Emprego.

Foram cerca de 9 meses de espera pelo dia em que uma empresa me dissesse que eu estava contratada. Até então, a minha resiliência já começava a dar sinais de abalo. Via colegas de anos anteriores a encontrarem trabalho com tanta facilidade e eu e os meus colegas estávamos quase todos no mesmo barco... todos à espera. Eu nem fui a pessoa que mais tempo esperou!

 

Em meados de junho de 2014 entrei então no mundo do trabalho e desde então tenho mudado regularmente de empresa. A empresa onde estive mais tempo foi mesmo a primeira e foi apenas durante um ano e meio.

Atualmente, quando olham para o meu currículo e optam por me chamar para uma entrevista, questionam-me o motivo para tantas mudanças mas a mais pura das verdades é algo tão simples que não convence quem a ouve: eu procuro sempre um lugar melhor para mim. Já houve mudanças que foram um erro e outras que foram uma ótima decisão.

O que despoleta a minha mudança e a constante procura por algo melhor é o facto de eu não me acomodar. Há quem pense que isto é sinal de que não sei o que quero (e na verdade, o que quero é sentir que o meu trabalho não é apenas uma fonte de rendimento) e há quem encare isso como uma enorme qualidade... ser uma pessoa que não desiste de si mesma. Não sei muito bem de onde vem esta minha característica, até porque não pertenço ao grupo de pessoas que adora mudanças, mas penso que a minha vontade de me sentir confortável no meu local de trabalho é aquilo que mais me move e que me coloca sempre alerta.

Eu sou aquela pessoa que atrai chefes complicados. A dada altura, cheguei a pensar que pudesse ser eu a fonte do problema, mas todos esses chefes complicados já eram conhecidos nas diferentes empresas como sendo pessoas com um feitio especial. Talvez eu não seja a fonte do problema, mas há certamente algo que me destinou a ter que lidar com pessoas complicadas profissionalmente.

Atualmente estou numa situação profissional frágil por diversos motivos: pela realidade financeira da empresa, pela realidade do departamento onde me encontro, pela realidade do país face a esta pandemia, face à minha ideia de satisfação profissional, face ao meu desejo de me imaginar numa área um pouco diferente, mas que ainda não sei bem qual é.

Pertenço à Geração Y, muito conhecida por Millenialls, e uma vez li que uma das diferenças entre a minha geração e a Geração X (a geração anterior à Y) é o facto de os Millenialls estarem mais dispostos a arriscar na vida profissional, uma vez que a vida profissional não é o principal foco da sua vida. Olhando para o meu foco e também para o que vou falando com os amigos da mesma geração, penso que o que nos move é o bem estar emocional, algo que o dinheiro não é capaz de comprar ou pagar. Converso com amigos que, tal como eu, vêem os pais num trabalho ou num ramo de atividade desde muito novos; alguns até tiveram infâncias com os pais um pouco mais ausentes porque o que os nossos pais entendiam - e isto não é uma crítica - é que trabalhando com afinco, ou durante mais horas, a remuneração será maior e então a qualidade de vida dos seus filhos também será melhor. Teoricamente faz sentido; na prática não é bem assim. Há mais além dos bens materiais; sempre houve.

Há uma frase que volta e meia releio para me manter presente no que realmente importa:

Quem muito se ausenta, um dia deixa de fazer falta.

 

Stress.jpg

(imagem encontrada aqui)

A minha situação profissional, apesar de frágil, é boa. Ainda assim, tenho sempre aquela sensação de que me devia dedicar - inicialmente em paralelo - a algo diferente. Gostava que pessoas como eu, que aos 30 anos ainda não descobriram o seu propósito, se sentissem compreendidas. Um dos meus maiores desejos é descobrir aquilo que realmente me satisfaz profissionalmente para assim me poder dedicar a isso. O que me acontece é que gosto de várias coisas, que talvez não sejam as mais indicadas para mim a nível profissional. Só me apercebo disto porque vou fazendo cursos e formações modulares ou porque já tive a oportunidade de trabalhar numa ou outra área que pensei que fosse gostar e o resultado é uma rápida desmotivação e um rápido retorno à pesquisa de outras possibilidades.

Breathe.jpg

(imagem encontrada aqui)

 

Apesar de haver agora uma maior preocupação e sensibilização para os fatores psicológicos, ainda estamos bastante longe de chegar a algo que seja satisfatório. Como explicar a um responsável da empresa que no mesmo departamento pode ter uma pessoa com uma auto estima tão elevada que dificilmente dá razão a quem quer que seja e que a outra pessoa tem uma auto estima tão frágil que mesmo quando tem razão duvida de si mesma? Como explicar que a pessoa com excesso de auto estima tem comportamentos e atitudes que não são adequadas para com a outra pessoa? E como é que as empresas podem agir em relação a isso?

Pelas experiências que tenho tido, por muito acessíveis que sejam os responsáveis de uma empresa, quando há algo que possa ter que ser resolvido através do confronto direto, isso vai ser evitado. Mesmo que esse confronto seja pacífico, apenas uma chamada de atenção, há uma certa falta de coragem em tratar da situação para que o bom ambiente seja promovido. A pessoa com falta de confiança acaba por ir em busca de algum lugar onde possa ter sossego e sentir-se útil no local de trabalho enquanto que a pessoa com excesso de confiança, que acaba por ficar na empresa e não ser chamada a atenção, ganha ainda mais confiança e entende que está a agir bem. Tudo isto não trás vantagens para ninguém: por um lado há uma pessoa que sente dificuldade em manter-se numa empresa porque não encontra um ambiente que lhe traga tranquilidade, por outro há uma pessoa que vai manter as suas atitudes porque ninguém a chama a atenção (ou quem a chama, não é quem deveria e, por isso, essas opiniões não são validadas), e por outro temos uma empresa que não consegue ter estabilidade num departamento.

É um ciclo vicioso. Enquanto sociedade, enquanto trabalhadores, enquanto gestores... Algum dia seremos capazes de conversar abertamente sobre questões psicossociais sem que, por um segundo que seja, se pense que pessoa A ou B "é maluca" ou "é fraca"? Algum dia seremos capazes de nos olharmos de fora, analisarmos o que fazemos e auto criticarmo-nos numa intenção pura de melhorarmos o que somos? Algum dia conseguiremos ajudar os outros sem uma réstia de medo que essa pessoa nos tire o lugar ou que tenha reconhecimento à nossa custa?

Quero acreditar que sim! Apesar de tudo o que tenho vindo a presenciar desde a minha entrada no mundo do trabalho em 2014, quero acreditar que sim.

Meditação.jpg

(imagem encontrada aqui)

Sobre o Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D